PASSAGEM DE VIDA E MORTE
Hortência de Sant'Ana Oliveira, Santaluz/BA

Sobre a exposição:


Um tempo marcado pelo ausente, em que pequenos símbolos fazem referência aos resquícios das existências que sobreviveram ao tempo, ao cotidiano daquilo que um dia foi uma escola e, em seguida, o tempo presente e passageiro de um “ritual” de morte, mas também expressão da continuidade da vida. Ambos se complementam, se entrelaçam na realidade passageira do espaço permeado por letras, palavras e sangue; pelo início da significação da vida, mas também, da morte. Vida e morte, morte e vida.

 

O espaço que um dia foi a Escola Cirilo Moreira Neto, hoje é um lugar de transição, de expiação e de recomeços, não apenas para o modo como lemos a realidade local, permeada pelas peripécias e resistências da caatinga, mas também o abecedário do real, que dialogando com o bioma regional, evidencia elementos pungentes que demonstram o descaso com a educação brasileira e, ao mesmo tempo, a importância da existência daquele espaço para a permanência da vida na caatinga.

 

Passagem de morte e vida tenta traduzir esse lugar geográfico de ambiguidade política, de transição temporal, de ruptura sentimental e de transmutação poética, por meio de um olhar resistente a cada nova passagem.

Sobre a fotógrafa

Hortência Sant’Ana, artista visual autodidata de Santaluz, é graduada em História, utiliza a imagem como documento visual artístico e reconstrutor de memórias, como uma ferramenta de luta, de preservação de culturas, saberes e, como forma de autoconhecimento.  Em seu trabalho visual é predominante o registro de cenas características do sertão, ressaltando suas peculiaridades, meio a objetos, vegetações, cores, performances e rituais de reconexão com o espaço.